Ask Advisor: O Google Promete, a IA Não Cumpre (Ainda?)

O Google lançou o Ask Advisor, prometendo um agente de IA revolucionário para o Google Ads, mas a realidade tem sido bem diferente do esperado. Analisamos o que a ferramenta entrega e onde ela peca.

Por Axye Editorial — publicado em 17/06/2026 — 6 min de leitura

Ask Advisor: O Google Promete, a IA Não Cumpre (Ainda?)

O Google, gigante da tecnologia e rei do tráfego pago, sempre nos manteve na ponta da cadeira com suas inovações. A promessa, dessa vez, era audaciosa: um agente de Inteligência Artificial dentro do Google Ads, capaz de transformar a vida de gestores de tráfego e anunciantes. Chamado inicialmente de Ads Advisor e agora de Ask Advisor, a ferramenta foi apresentada como um divisor de águas, analisando campanhas, cruzando dados (inclusive do GA4!) e oferecendo insights para otimizar resultados. Mas será que a promessa se concretizou?

Adriano Gianini, especialista em tráfego pago e um dos maiores nomes quando o assunto é Google Ads no Brasil, colocou o Ask Advisor à prova. Em seu vídeo no YouTube, lançado em 15 de junho de 2026, com 1952 visualizações e 192 curtidas até o momento, ele compartilha uma análise franca e sem rodeios sobre essa nova aposta do Google. E a conclusão, para a surpresa de muitos, está longe de ser um mar de rosas.

A Promessa Versus a Realidade: O Que o Ask Advisor Deveria Ser

A ideia por trás do Ask Advisor é sedutora: um copiloto de IA que atua dentro do Google Ads, entendendo o contexto, as nuances das campanhas e sugerindo otimizações que fariam as vendas dispararem. Gianini, no início, estava animado. Ele imaginava um agente de IA que, nascido e criado dentro do ecossistema Google, teria um ponto de partida infinitamente superior a qualquer ferramenta externa. Um agente capaz de:

Essa é a visão de um verdadeiro "agente agêntico" na era da internet, como ele mesmo descreve: uma ferramenta que ou já executa tarefas de forma superior ao humano, ou é altamente treinável para se tornar expert em uma determinada função, liberando o gestor para tarefas mais estratégicas. A expectativa era que o Ask Advisor, sendo uma criação do Google para o Google Ads, já viesse com essa inteligência embarcada desde o primeiro dia.

A Ativação e as Primeiras Impressões: Um Caminho Complicado

O primeiro obstáculo já surge na ativação. Gianini explica que, para acessar a versão beta do Ask Advisor, é preciso alterar o idioma da conta do Google Ads para inglês. Um detalhe pequeno, mas que já indica que a ferramenta ainda não está totalmente "pronta para o Prime Time" em todos os mercados. Feito isso, a interface se revela como um chat, lembrando as primeiras gerações de chatbots, não as experiências ricas e generativas prometidas pelas IAs mais recentes.

O teste prático de Gianini envolveu uma pergunta simples, mas fundamental para qualquer gestor de tráfego: “Me traga uma visão de performance das minhas campanhas de rede de pesquisa e sugestões de melhorias.” A resposta do Ask Advisor, após um tempo considerável de processamento, foi uma análise superficial. Ele apontou que a campanha principal dobrou o volume de conversões de 4 para 8, reduziu o custo de conversão em 47% (de R$ 573 para R$ 31), mas viu o CPA subir 53%. Essas informações, embora factuais, são apenas um espelho do que já se encontra em relatórios básicos da plataforma. As sugestões de otimização foram genéricas: otimização de termos, estratégias de lance, implementação de CPA desejado. Nada que um gestor experiente já não saiba ou que o próprio menu de "Recomendações" do Google Ads não ofereça.

Comparativo Crítico: Onde a IA do Google Fica para Trás

A grande decepção de Gianini surge quando ele compara o Ask Advisor com o que já é possível construir com outras ferramentas de IA, como Claude e ChatGPT, integradas à API do Google Ads. Ele demonstra como, com um investimento de tempo inicial (cerca de uma manhã de trabalho), é possível desenvolver um "agente" personalizado que:

Essa é a "era agêntica" que ele esperava do Google: uma ferramenta treinável, personalizável e que realmente desafogaria o trabalho manual. O Ask Advisor, por outro lado, se mostrou uma "IA empacada". Gianini critica a experiência "horrível e tosca" da interface, a falta de opções para ampliar a análise, a impossibilidade de dar contexto ou treinar o agente. Ele argumenta que a ferramenta não é um agente treinável e que, na prática, suas análises e sugestões não vão além do que já está disponível nas abas de "Recomendações" do próprio Google Ads.

Um exemplo claro da limitação foi quando o Ask Advisor identificou termos de marca (como "Invictus Adriano Gianini") que geravam gastos sem conversão. A ferramenta apenas apontou o problema, sem oferecer uma solução estratégica aprofundada ou a capacidade de entender o contexto desses termos – por exemplo, se são parte de uma estratégia de branding ou de proteção de marca. Isso demonstra uma falta de contextualização e profundidade que um gestor de tráfego espera de uma ferramenta de IA.

A Visão Decepcionante e o Futuro Incerto

A conclusão de Gianini é ácida: "o Google mudou de nome, saiu, deixou de ser Ads Advisor para ser Ask Advisor, mas eu continuo tentando entender como que o Google tá colocando esforço nisso, para onde isso vai". Ele sugere que a iniciativa parece mais um esforço para "dizer que tem" um agente de IA do que para oferecer uma ferramenta verdadeiramente útil. A promessa de alívio e otimização para gestores de tráfego não se concretizou. Para ele, o Ask Advisor "não serve para nada, não ajuda em nada, não é útil em nada, mas ele existe".

Essa análise de Adriano Gianini levanta um ponto crucial para o mercado digital: a corrida para incorporar a IA em produtos existentes nem sempre resulta em soluções eficientes. Muitas vezes, a "IA" acaba sendo apenas uma camada de otimização sobre funcionalidades já existentes, sem realmente inovar ou entregar o potencial transformador que a tecnologia promete. Para o Google Ads, que é o coração do tráfego pago para milhões de negócios, essa é uma oportunidade perdida – pelo menos por enquanto.

A reflexão que fica é para os próprios gestores de tráfego e anunciantes. Em vez de esperar por milagres de ferramentas "oficiais", talvez o caminho seja explorar as possibilidades de integração e personalização com IAs generativas como Claude e ChatGPT, construindo suas próprias soluções e agentes treináveis. Esse é o verdadeiro futuro da otimização, onde a capacidade de adaptar e programar a IA para as necessidades específicas de cada negócio se torna o grande diferencial.

Com informações de youtube.com.

Tópicos: google ads, ask advisor, inteligência artificial, gestão de tráfego, otimização de campanhas

Fonte: youtube.com

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