Central clandestina em região nobre de Goiânia aplicava golpes do PIX em vários estados

Polícia Civil descobriu um "escritório do crime" no 11º andar de um prédio comercial no Setor Bueno: três presos, cerca de 50 celulares, R$ 50 mil em espécie e 75 cartões bancários com as senhas coladas.

Por Axye Editorial — publicado em 30/07/2026 — 3 min de leitura

Central clandestina em região nobre de Goiânia aplicava golpes do PIX em vários estados

Uma central clandestina estruturada para a prática de crimes digitais em larga escala foi descoberta pela Polícia Civil no 11º andar de um edifício comercial no Setor Bueno, em Goiânia. A Operação Black Office, deflagrada na segunda-feira (25), resultou na prisão de três suspeitos que operavam um "falso SAC bancário", além da apreensão de dezenas de celulares, cartões bancários com senhas e dinheiro em espécie.

Segundo o delegado Willian Bretz, as fraudes investigadas "não se limitam ao golpe do novo número, abrangendo também modalidades mais sofisticadas, como o falso advogado e a falsa central bancária". A ofensiva foi resultado de uma investigação conduzida pela equipe de inteligência da 4ª Delegacia Distrital de Goiânia, iniciada há algumas semanas.

De acordo com Bretz, as diligências começaram após o recebimento de relatórios estratégicos que apontavam para a existência de uma estrutura clandestina voltada à prática de crimes digitais. "Informações de inteligência nos levaram à possível existência de uma central bancária clandestina destinada a fraudes digitais", afirmou.

A partir desses dados, os agentes iniciaram trabalhos de campo e o cruzamento de informações para identificar os responsáveis pelo esquema. A localização exata da central do golpe foi confirmada no sábado pela manhã. De posse do endereço, a Polícia Civil representou ao Poder Judiciário pelo mandado de busca e apreensão. A decisão foi autorizada ainda no plantão judiciário de domingo e também permitiu a quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos durante a operação.

Policiais civis contam maços de dinheiro apreendidos na Operação Black Office, em Goiânia
Estrutura clandestina funcionava no 11º andar de um edifício empresarial em Goiânia (Divulgação/PCGO)

O flagrante

No momento em que entraram no imóvel usado como uma espécie de "escritório do crime", os policiais flagraram os suspeitos em plena atividade ilícita. Segundo o delegado, a cena encontrada evidenciou o nível de organização do grupo criminoso. "Nós pudemos flagrar três indivíduos operando cerca de 50 celulares, além de estarem na posse de aproximadamente R$ 50 mil em dinheiro e manuseando cerca de 75 cartões bancários com senhas adesivadas", relatou Bretz.

O delegado ressaltou que a estrutura tinha como principal finalidade ocultar a origem dos valores obtidos com os golpes. Conforme as investigações, o flagrante evidenciou a atuação do grupo na lavagem de capitais após a consumação de diversos estelionatos praticados em diferentes regiões do país.

Mesa com dezenas de celulares em suportes, cartões bancários e maços de dinheiro apreendidos pela Polícia Civil
Dezenas de aparelhos em suportes, cartões e comprovantes de PIX: a linha de produção do golpe (Divulgação/PCGO)

Os três presos foram autuados por associação criminosa, lavagem de capitais e uso de conta de terceiros. Somadas, as penas podem chegar a 18 anos de prisão em caso de condenação.

O que isso ensina pra quem vive do digital

Chama atenção o nível de industrialização: não é o "moleque do WhatsApp", é uma operação com turno, escala, aparelhos em suporte e cartões etiquetados como estoque de loja. Quanto mais profissional fica o golpe, mais barato fica cair nele — e quem trabalha com dinheiro na internet é alvo preferencial.

Se você recebeu um PIX estranho ou uma proposta de "usar sua conta por uma taxa", registre e denuncie. O barato do dinheiro fácil está saindo em anos de cadeia.

Vídeo mostra o material apreendido durante a Operação Black Office

Tópicos: golpe do pix, segurança digital, estelionato, polícia civil, goiânia, fraudes eletrônicas

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