Uma central clandestina estruturada para a prática de crimes digitais em larga escala foi descoberta pela Polícia Civil no 11º andar de um edifício comercial no Setor Bueno, em Goiânia. A Operação Black Office, deflagrada na segunda-feira (25), resultou na prisão de três suspeitos que operavam um "falso SAC bancário", além da apreensão de dezenas de celulares, cartões bancários com senhas e dinheiro em espécie.
Segundo o delegado Willian Bretz, as fraudes investigadas "não se limitam ao golpe do novo número, abrangendo também modalidades mais sofisticadas, como o falso advogado e a falsa central bancária". A ofensiva foi resultado de uma investigação conduzida pela equipe de inteligência da 4ª Delegacia Distrital de Goiânia, iniciada há algumas semanas.
De acordo com Bretz, as diligências começaram após o recebimento de relatórios estratégicos que apontavam para a existência de uma estrutura clandestina voltada à prática de crimes digitais. "Informações de inteligência nos levaram à possível existência de uma central bancária clandestina destinada a fraudes digitais", afirmou.
A partir desses dados, os agentes iniciaram trabalhos de campo e o cruzamento de informações para identificar os responsáveis pelo esquema. A localização exata da central do golpe foi confirmada no sábado pela manhã. De posse do endereço, a Polícia Civil representou ao Poder Judiciário pelo mandado de busca e apreensão. A decisão foi autorizada ainda no plantão judiciário de domingo e também permitiu a quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos durante a operação.
O flagrante
No momento em que entraram no imóvel usado como uma espécie de "escritório do crime", os policiais flagraram os suspeitos em plena atividade ilícita. Segundo o delegado, a cena encontrada evidenciou o nível de organização do grupo criminoso. "Nós pudemos flagrar três indivíduos operando cerca de 50 celulares, além de estarem na posse de aproximadamente R$ 50 mil em dinheiro e manuseando cerca de 75 cartões bancários com senhas adesivadas", relatou Bretz.
O delegado ressaltou que a estrutura tinha como principal finalidade ocultar a origem dos valores obtidos com os golpes. Conforme as investigações, o flagrante evidenciou a atuação do grupo na lavagem de capitais após a consumação de diversos estelionatos praticados em diferentes regiões do país.
Os três presos foram autuados por associação criminosa, lavagem de capitais e uso de conta de terceiros. Somadas, as penas podem chegar a 18 anos de prisão em caso de condenação.
O que isso ensina pra quem vive do digital
Chama atenção o nível de industrialização: não é o "moleque do WhatsApp", é uma operação com turno, escala, aparelhos em suporte e cartões etiquetados como estoque de loja. Quanto mais profissional fica o golpe, mais barato fica cair nele — e quem trabalha com dinheiro na internet é alvo preferencial.
- Banco não liga pedindo transferência. Central real nunca te manda mandar PIX pra "conta segura".
- Número novo pedindo dinheiro é golpe até prova em contrário. Ligue pro número antigo, não pro que chegou.
- Nunca guarde senha junto do cartão — literalmente o que o grupo fazia com as contas de terceiros.
- Conta laranja não é "renda extra". Emprestar conta pra receber PIX é enquadramento criminal, e foi exatamente parte do que gerou a prisão aqui.
Se você recebeu um PIX estranho ou uma proposta de "usar sua conta por uma taxa", registre e denuncie. O barato do dinheiro fácil está saindo em anos de cadeia.
