A Venezuela viveu nesta quarta-feira (25) o terremoto mais forte registrado em seu território em mais de um século. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), dois tremores consecutivos — um de magnitude 7,2 e outro de 7,5 — atingiram o país com poucos minutos de diferença e foram seguidos por cerca de 20 réplicas.
O que aconteceu
O primeiro abalo foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 em Brasília), com epicentro a cerca de 21 km a oeste de Morón, no estado de Carabobo. Pouco depois, um segundo tremor, ainda mais forte, ocorreu a poucos quilômetros do primeiro epicentro, a aproximadamente 200 km a oeste de Caracas.
O USGS classificou o evento como uma "catástrofe que deverá ter consequências consideráveis". O último terremoto de intensidade comparável no país havia sido em 29 de outubro de 1900, quando um tremor estimado em 7,7 atingiu a costa venezuelana.
Destruição em Caracas
Relatos oficiais apontam pelo menos 164 mortos e mais de 971 feridos, com prédios desabados em diferentes bairros da capital. Em Chacao, na zona leste, um edifício de 22 andares ficou completamente destruído. Diversas regiões ficaram sem energia, e ruas amanheceram cobertas de cacos de vidro.
"Há dezenas de prédios desabados e estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar." — Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela
Estado de emergência e aeroporto fechado
O governo interino declarou estado de emergência e classificou La Guaira como "zona de desastre". O Aeroporto Internacional de Maiquetía, principal terminal do país, foi fechado depois que parte de sua infraestrutura ficou comprometida.
Tremores sentidos no Brasil
O abalo foi percebido também na Colômbia — onde lâmpadas balançaram em Bogotá e prédios foram evacuados — e no Brasil, com registros em Belém, Manaus, Santarém (PA), Macapá e Cutias do Araguari (AP).
Reação internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país está "pronto, disposto e apto" a ajudar. A maior parte dos países latino-americanos manifestou solidariedade e ofereceu auxílio. A líder da oposição venezuelana e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, publicou mensagem de apoio às famílias atingidas.
Atividade sísmica global
Horas depois do terremoto na Venezuela, um tremor de magnitude 7,2 atingiu o norte do Japão. Até o momento não há relatos de vítimas ou danos materiais por lá.
Com informações de O Globo e AFP.
O Círculo de Fogo do Pacífico

O Círculo de Fogo do Pacífico (ou Anel de Fogo) é uma faixa em forma de ferradura com cerca de 40.000 km que contorna o Oceano Pacífico, passando por países como Chile, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, América Central, México, Estados Unidos (Califórnia e Alasca), Japão, Filipinas, Indonésia e Nova Zelândia.
É a região sísmica mais ativa do planeta: concentra cerca de 90% de todos os terremotos e abriga aproximadamente 75% dos vulcões ativos do mundo. Isso acontece porque ali se encontram várias placas tectônicas (Pacífica, Nazca, Cocos, Norte-Americana, Filipina, entre outras), que se chocam, deslizam ou mergulham umas sob as outras — processo chamado de subducção.
Essa movimentação constante libera enormes quantidades de energia, gerando terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas. Por isso, eventos como os tremores recentes na Venezuela, no Japão, nas Filipinas, em Nova Guiné e na Califórnia, registrados quase simultaneamente, fazem parte da dinâmica natural dessa zona — ainda que a intensidade e a proximidade entre eles chamem a atenção.
